Política e exterior fazem dólar atingir a mínima do ano
SÃO PAULO – Em um ambiente de maior otimismo externo e interno, o dólar comercial perde força nesta segunda-feira e atinge as mínimas do ano. A moeda americana, às 12h40, era negociada a R$ 3,528 na compra e a R$ 3,530 na venda, recuo de 1,86%. Na mínima, chegou a R$ 3,506, o menor valor registrado em 2016. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra alta de 0,76%, aos 50.675 pontos.
A divisa está sendo negociada no patamar do final de agosto do ano passado. A cotação de R$ 3,509 (mínima) é a menor desde os R$ 3,46 de 21 de agosto de 2015. Do ponto de vista interno, contribuem para a queda acentuada do dólar a expectativa da aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. O relatório na comissão especial será votado nesta segunda-feira e a votação em plenário deve ter início na sexta-feira. O Banco Central (BC) também não conseguiu vender o lote total de contratos de swap cambial reverso, que possuem efeito de compra da divisa no mercado futuro.
— A questão política faz com que o real tenha um movimento de valorização mais acentuado que outras moedas de emergentes. Há o processo de impeachment em andamento e o julgamento da cassação da chapa da presidente Dilma pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A expectativa é que ela não terminará o mandato — avaliou Bernard Gonin, analista da Rio Gestão Investimentos.
Grande parte dos agentes dos mercados financeiros são contrários ao atual governo e preferem uma mudança. Com essa expectativa, os ativos brasileiros acabam se fortalecendo. No entanto, Gonin lembrou que esse movimento também é sustentado pelo maior otimismo no exterior.
— As commodities estão mais fortes com uma posição mais acomodatícia dos bancos centrais. O Federal Reserve (Fed, o bc americano) deixou claro que vai subir juros em um nível abaixo do que o mercado esperava. Isso tudo aumenta o apetite por risco em ativos emergentes — completou.
O “dollar index”, calculado pela Bloomberg, tem queda de 0,40%, com o dólar perdendo força ante as moedas de países emergentes e produtos de commodities.
PETROBRAS E VALE EM ALTA
A recuperação do preço das commodities fazem com que Petrobras e Vale operam em terreno positivo, contribuindo para a alta do Ibovespa.
As ações preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras têm alta de 3,14%, cotadas a R$ 8,52, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) sobem 0,47%, a R$ 10,54. O petróleo no mercado internacional é negociado com ganho de 1,72%, a US$ 42,66 o barril.
No caso da Vale, a alta é de 4,75% nas preferenciais e de 4,74% nas ordinárias. Na China, o preço do minério de ferrou subiu 4,79%, a US$ 56,62 a tonelada no porto de Qingdao.
As ações da BM&FBovespa e da Cetip, que anunciaram a fusão na sexta-feira, também operam em alta. As altas são de, respectivamente, 0,94% e 0,45%.
Os principais índices do mercado acionário na Europa e Estados Unidos também opera em alta. O Dow Jones tem alta de 0,22% e o S&P 500 sobe 0,26%. O DAX, de Frankfurt, tem valorização de 0,78%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, sobe 0,35%. Em Londres, o FTSE 100 está praticamente estável, com leve valorização de 0,02%.